E agora?

A vida continuou, o pranto acabou, os confetes subiram e o carnaval começou.

E agora?

Melhor do que agora não pode ficar, o clamor da vida susurrou e eu, que não sei nadar, me afoguei no mar de momentos.

E agora?

E agora, José?

A festa voltou, você venceu, o povo aplaudiu, ego inflado, tapinha nas costas e respeito devidamente conquistado

Tudo nos conformes, até que o penetra sem norte esbarra e pergunta: “O que falta José? Teus momentos estão ai, recuperaste tudo, e hoje o que te falta?”

Maldito o dia em que fui ouvi-lo, jogou a semente e floresceu a idéia

E agora José?

O que te sobra além da tua miséria?  O que te sobra além das coisas casuais? Com tamanha felicidade, o que sobra de drama para tua ópera?

Hoje sou José, duas sílabas,  nome forte e de respeito. Por um momento, esqueci que um dia fui simplesmemte Zé. Zé Casmurro,  Zé das ideologias ultrapassadas e do rancor imensurável, entre o nova realidade e as antigas batalhas.

Felicidade é algo triste, feliz é a tristeza de procurar por ela em cada esquina…

Cansei de ser José, sinto saudades de um norte, de um objetivo. Há momentos em que queremos ficar com todo mundo, mas são só momentos…

Preciso voltar a ser Zé.

“Eu preciso andar
Um caminho só
Vou buscar alguém
Que eu nem sei quem sou”

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Aqui estou eu escrevendo sobre não ter inspiração para escrever.

Poderia falar da moça loira que insinuava constantemente para que eu segurasse as suas coisas durante a viagem no ônibus, poderia falar dos pedreiros que sentavam na parte traseira e suas baixas expectativas de vida, poderia até filosofar sobre isso. Poderia falar também do lindo sol das 4 da tarde que invadiu o ônibus durante a passagem da ponte, ou como me sinto em casa quando chego aqui na casa da minha mãe e o como Mombojó deixou toda essa situação com um toque poético.

Mas não, hoje quero apenas escrever sem focar nos pequenos detalhes, ou melhor, quero apenas escrever. Menti no começo, estou inspirado sim, só não tenho o que escrever ou não tenho capacidade de fazer. É difícil explicar, mais ainda transcrever.

A partir daqui já se passaram uma semana desde que escrevi o que está acima. Poderia falar sobre o que me aconteceu nesse meio tempo, o quanto estou nostálgico e o como tirei esse tempo para lidar com os meus próprios demônios, mas ainda assim, quero falar sem focar nos pequenos detalhes. Talvez o meu problema seja a falta de algo maior no momento, algo que valha a pena acordar e viver todos os dias. Talvez seja a falta dos pequenos detalhes, como ver os amigos todos os dias, como a falta de um abraço ou sorriso diário. Todos precisam de momentos a sós, mas são só momentos. Tentar viver sem os pequenos detalhes é definitivamente impossível, afinal, essa é a essência da vida.

Ultimamente estou para baixo e meus textos estão se tornando repetitivos, acho que esse é o último deles por um tempo, pelo menos até que eu esteja bem comigo de novo, que haja uma razão pela qual valha acordar e que haja uma particularidade que me faça falar aqui de novo. Esse é um “até logo” para mim mesmo, inspiração, autor, diretor e ator principal de minha peça. Um Tarantino da minha própria vida.

A vida é uma ópera (M. De Assis, Dom Casmurro)

 

O mundo gira mas tá tudo estático

vida passa mas estou parado”

É tudo mais ou menos assim. Nessas situações nós nos permitimos analisar o nosso meio, como se tudo estivesse em slow-motion, como naquelas fotos de pessoas totalmente desfocadas em uma festa perguntando a si mesmo “o que é que eu tô fazendo aqui?”, e aí que chegamos àquela pergunta que sempre paira sobre nós:

O que eu to fazendo aqui?

A vida passa e os maiores e mais ambiciosos sonhos parecem cada vez mais distantes, a tentativa de impor objetivos menores já não servem mais e tudo começa a caminhar mais opaco, menos sonoro… Tudo fica em “fade”.  A vida passa nos 64 frames de uma TV grande no programa de iniciação da Matrix e quem está sentado com o controle na mão naquela grande poltrona vermelha sou eu.

Sim, eu tenho o controle de tudo, mas não consigo mudar mais para o canal onde não tenho controle de nada. Por enquanto ele está fora do ar e só o que me resta agora são os canais da responsabilidade, mas por pouco tempo. Por enquanto vou sonhando a curto prazo com isso e esperando esse dia chegar.

Já parou para pensar o quanto sua vida pode influenciar o próximo?

Um lanche pago ao amigo, um favor feito mesmo que um pouco relutante ou até menos, como perguntar como foi o dia dos pais, irmãos, parceiros…

As vezes não percebemos o quanto estamos ligados uns aos outros, o quanto uma ação ruim ou boa, mesmo que pequena, possa afetar àqueles que temos contato. “Gentileza gera gentileza” é o que eles dizem; Karma é o nome que deram e, até no raciocínio mais lógico do homem mais cético, conseguimos averiguar que isto é verdade.

Um dia, um homem qualquer, um Zé assim podemos dizer, colocou a boca nos alto-falantes do universo e gritou para cada ser vivo existente dizendo para amarmos o outro como a nós mesmos e, independente das atuais interpretações ele sabia das coisas, afinal, amor gera amor assim como gentileza gera gentileza, e como já diziam: “A coisa mais importante que você pode aprender na vida é a amar e ser amado”.

Sendo sincero com aqueles que por aqui de vez em nunca pairam, não sou muito adepto de conversar com o leitor. Das vezes em que faço isso, geralmente estou conversando comigo mesmo assim como faço em minha cabeça constantemente, dia após dia, afinal, criei esse recinto só para guardar algumas ideias e memórias que concluo com meus botões. Hoje se sintam privilegiados pois tirei algumas linhas para falar com vocês e só o fiz para falar o que se resume a isso: Aproveitem as pequenas coisas da vida, principalmente as não materiais.

Quando será que vale um abraço de mãe, um momento com o irmão, o cheiro do mato pela manhã, o espírito natalino que cresce de véspera, uma comida de vó, uma tarde com os amigos ou o mais natural e singelo sorriso de quem você ama? Como já havia perguntado em ideias anteriores, quanto custa o primeiro raio de sol que toca à face? Se é necessário impor valor a estas coisas, então que este seja a vida.

Respondo sem mesmo perguntar: Sim, vale a pena viver por isto. Se merecemos ou ganhamos essa oportunidade não sei dizer, mas digo e repito: Vale a pena viver. Então, saia dessa cadeira, olhe na janela e veja o céu: Se é noite ou dia não importa, ainda é o céu e ele é lindo. Abrace sua mãe ou pai, quem sabe o irmão ou parceiro… Perguntem como foram seus dias e aproveite o momento pois isto, meus caros, é aquilo que eles chamam de felicidade, e o que somos nós a não ser seres que vivem na procura por ela?

Nada tenho vez em quando tudo
Tudo quero mais ou menos quanto
Vida vida, noves fora, zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver

Vendo o mundo de diferentes pontos

Ainda tô achando meu ponto de vista,

Qual o melhor lugar onde eu possa ver a vida

Sem medo de me arrepender?

Que eu possa ficar com um sorriso no rosto,

De quem não tem desgosto

Pelo que acabou de escolher?

Tomando meu café

Quem sabe uma cerveja,

Que assim seja o que a vida irá prever

Escolhendo para mim tudo o que eu quero ter

Que ela me dê uma trégua,

Quem sabe uma légua

Nesse tempo que passar

Que entre comigo onde eu tiver que entrar

Ao invés de rebater e me prejudicar.

“Um dia, todos fazem as pazes com a vida”

É o que eles dizem.

Então que ela me perdoe logo por algo que fiz,

Volte a ser minha amiga, e eu a ser feliz.

Afinal,

Quem não quer voltar a ser amigo da vida?

Pelo menos é este o desejo de quem vos escreve.

Estou bem.

Finalmente eu consegui chegar nesse estágio este ano; estava difícil, complicado, mas cheguei. Parece que a maré de azar e cansaço me deram uma trégua e me deixaram fazer um surf nesse mar que é a vida.

Dar tempo ao tempo nunca falha, o que falha é a nossa resistência enquanto o tempo passa, e agora eu consigo ver isto com mais clareza. Coisas que não passavam de pensamentos aleatórios começam a ganhar um esboço na realidade, assim como o cansaço que não baixava a guarda, agora parece uma lembrança  meio ofuscada em minha mente. Até a inspiração para escrever voltou (o texto original está/foi escrito em guardanapo por falta de material).

Em momentos como esse eu posso dizer tanto aos outros como a mim quando as coisas apertarem mais à frente:

“Dê tempo ao tempo”

O texto é curto, mas a lembrança é/será boa. Lembrança de que em algum momento desse capítulo, eu pude dizer:

Estou bem.

Não faz muito o estilo do meu wordpress, porém, não poderia deixar de compartilhar um pouco de como era Hearth Ledger enquanto fazia o Coringa, uma das melhores atuações já vistas na história do cinema que mesmo recente, já pode ser facilmente dita como clássica.

HEROmusic.

Pouco mais de cinco anos após a morte de Heath Ledger, o pai do ator, Kim Ledger, mostra o “Diário do Coringa”. Mantido pelo ator durante as filmagens de Batman – O Cavaleiro das Trevas, o livro mostra um pouco das pesquisas feitas por Ledger para a construção de seu personagem, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

O depoimento faz parte do documentário alemão Too Young to Die e tem um primeiro trecho divulgado no vídeo abaixo, dublado em francês, com legendas em inglês.

Veja:

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